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Aumento de opções complica definição

Edith Lins Eto, do Serviço de Orientação Educacional e Psicológica do Sistema Promove de Ensino, diz que a época em que vivemos torna maior a indecisão que vitima os pré-universitários. "Até 15 ou 20 anos atrás era mais fácil escolher uma carreira. À medida em que a sociedade se torna mais complexa, o número de opções cresce", explica. Segundo sua experiência com os alunos, apenas cerca de 10% têm certeza da escolha antes da universidade.

Outro fator da indecisão é a idade em que a escolha é feita. "O aluno entra hoje no ensino médio com apenas 15 ou 16 anos, estimulado a escolher o ramo das ciências que irá seguir: humanas, exatas ou biológicas", afirma Edith. Ela lembra que a adolescência é época de descobertas e ampliação de horizontes. No período da inscrição do vestibular, o pré-universitário acaba fazendo o movimento contrário: é obrigado a afunilar seus desejos no sentido de uma escolha que poderá valer para a vida inteira.

Edith considera que o melhor que o aluno pode fazer é dar-se o tempo necessário para uma escolha consciente e se informar o máximo sobre as profissões que cogita abraçar. Ela acha que o teste vocacional é importante, mas não suficiente. "É preciso também oferecer ao aluno orientação profissional, mostrar a ele como funciona hoje o mercado de trabalho, que carreiras estão em ascensão ou em decadência, e como deve ser o profissional, destinadas sobretudo aos alunos do 3º ano.

Organizar rotina é uma boa dica

Edith Lins Eto já viu muitos casos em que a dúvida transforma-se em angústia e, daí, em crise emocional e até depressão. "Diante da necessidade de escolher, o aluno fica estressado e, ás vezes, deprimido. Em casos extremos, chegamos a encaminhá-lo para psicoterapia", afirma. O Núcleo Pré-Vestibular Promove faz também sessões de relaxamento, para tentar atenuar o estresse dos estudantes.

Edith explica que a adolescência é uma época de "curtir, aproveitar a vida", enquanto o vestibular significa disciplina e organização. Como o adolescente tem uma tendência natural ao radicalismo, são freqüentes os casos tanto de alunos que simplesmente param de estudar para o vestibular, quanto daqueles que estudam exageradamente. "Nenhuma das duas coisas é boa, o que tentamos é organizar, junto com o aluno, um quadro de horários, que inclua o estudo, lazer e até atividades paralelas, como aulas de idiomas e atividades esportivas em academias", diz Edith.

Para os que estão indecisos, Edith tem algumas dicas: 1) orientar-se sobretudo pela atividade que dá prazer, não pela que "dá dinheiro"; 2) estar aberto á busca de informações, conversar com profissionais e visitar escolas de terceiro grau; 3) não ter pressa.

Edith reconhece, no entanto, que o tempo para a escolha é curto. Para ela, o ideal seria que o aluno não saísse direto do ensino médio para o vestibular, mas a pressão é inevitável. "Os pais estão hoje mais flexíveis em relação às possíveis escolhas do filho, mas, muitas vezes, não se preocupam se o filho está feliz e, sim, se ele vai passar no vestibular", afirma. E acrescenta: "É uma posição compreensível, já que os pais geralmente fazem sacrifícios para manter o filho em uma escola de alto nível, com a esperança de que ele entre imediatamente na universidade".

Jornal Pampulha – Caderno Educação –12/9/98

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