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Toda escolha exige paciência

Jovens intolerantes podem se frustar mais facilmente na universidade

A vida colegial está perto de terminar. Junto, vem a expectativa com o novo, misturada ao medo do desconhecido. Ainda por cima é a fase final da adolescência. E qual o problema? Talvez nenhum problemão, se a escolha da profissão – que às vezes atormenta, mas que tantas outras pode também ser prazerosa – for vista como parte da adolescência. Essa fase que marca a transição da infância para a vida adulta, traz grandes transformações físicas, que são as mais visíveis, mas também intelectuais e sociais. "Por isso é uma fase bastante complexa e decisiva", aponta a mestre em Educação Tânia Zaguri, autora de seis livros, entre eles "O adolescente por ele mesmo". Nem por isso dá para pensar só em dificuldades, e nada é tão catastrófico como possa parecer.

"De um modo geral, a maioria dos jovens não sai dos trilhos ou comete violência. Pelo contrário, a maioria é equilibrada e sabe o que quer", garante Tânia, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Após entrevistar quase mil jovens entre 14 e 18 anos, das cinco classes sociais, em 16 cidades brasileiras, ela apurou que 65% deles já tinham se definido por uma profissão. "Se a escolha vai dar certo ou não, isso em nenhum setor da vida é possível Ter certeza. A vivência é que vai completar qualquer processo de escolha".

Para Tânia, o certo é que a criança e o adolescente criados sem limites serão sempre mais propensos à intolerância e à frustração, inclusive no campo profissional. Quem, por exemplo, sempre fez só o que quis, como não estudar direito por falta de paciência, poderá se frustrar mais ao menor sinal de dificuldade. "Muitas vezes quem passa na faculdade larga tudo ou pensa que escolheu mal só porque acha ou duas matérias chatas. Quando na verdade é apenas um semestre que tem algumas aulas mais ‘massudas’ ou professores menos maravilhosos.

 

Família

Frustrações com a escolha profissional às vezes ocorrem só porque o jovem não aprendeu com seus pais a Ter a capacidade de adiar a satisfação. "Em nenhum momento da vida todos os nossos desejos são atendidos e nada é só um mar de rosas", alerta Tânia. Não se trata de acomodar, sem coragem de mudar uma escolha errada, esclarece ela. O segredo é entender que toda profissão tem seu lado positivo, mas também o menos satisfatório.

Outra dica de Tânia é que pais e professores participem mais, mas que o estudante também corra atrás de informação. Se toda família tem pelo menos quatro ou cinco profissionais, porque não aproveitá-los como fonte de dados e experiências para você destrinchar as vantagens e desvantagens de várias carreiras? Para a psiquiatra e psicanalista Simone Beatriz Scarioli, esse contato com os profissionais deve ser incrementado por visitas a clínicas, consultórios, jornais, empresas e a onde mais possa ajudar o estudante a concretizar sua pretensão.

"Uma coisa é fantasiar, outra é trocar experiências reais", lembra Simone, que muitas vezes recebe jovens estressados, deprimidos e angustiados, plugados constantemente na Internet, mas sem interesse pela educação formal e sobrecarregados de informações que nem sempre sabem selecionar. "A escola não avançou tanto como avançaram a vida fora e os meios de comunicação. Mas já há uma sensibilização importante para a importância da orientação profissional".

 

Lydia Hermanny – Gabarito – 18 de setembro de 1998/Jornal Estado de Minas

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